TrocaLetras

07/07/2009

Elite da Tropa – Luiz Eduardo Soares/André Batista/Rodrigo Pimentel

Filed under: Crítica social — Pandora @ 15:40

Os autores são todos ligados à segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, sendo um deles major da polícia e o outro foi capitão do BOPE.

Achei o filme mais chocante. Esperava mais do livro, justamente pelo filme ter sido um belo tapa na cara.

Mas o livro revolta. Você começa a pensar sobre tudo que é retratado e sente nojo de fazer parte desse sistema porco e corrupto. E o preconceito. Dói fundo.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira parte, o narrador, policial do BOPE, retrata o dia-a-dia em pequenos contos. Explica o caminho para se tornar policial do BOPE, as torturas, a corrupção da PM e da Civil, enquanto o BOPE tenta manter-se incorruptível. Retrata a violência (dos policiais e dos traficantes), as mortes, as incursões nas favelas….enfim…mostra o lado B que não estamos acostumados a ver. E é isso que revolta. Toda essa hipocrisia, todo esse papo de que “policial é bandido”, é nojento, revoltante mesmo. Sempre achei que era uma classe injustiçada, agora tenho certeza.

Mas, como nem tudo são flores, existe a segunda parte do livro.

Nessa segunda parte, a história corre veloz, e você tem que ficar bem esperto pra não perder detalhes. É uma infinidade de pessoas, traficantes, autoridades, todos enroscados em uma mesma trama de traições, mentiras, desconfiança e morte.

Aqui, a esposa do chefe do Comando Vermelho, preso em Bangu I, é seqüestrada. Aí vem toda a trama para saber quem foi, porque, se está envolvido com traficantes inimigos, com a polícia, com o governo.

Nessa segunda etapa do livro, vemos que a polícia pode sim ser corrupta e vender-se à traficantes e ao próprio governo para ter regalias. Mas também frisa que nessa sujeira toda existem pessoas honestas, que batalham, acreditam, e pagam, muitas vezes com a vida.

É triste, dá um aperto pensar nessas pessoas idealistas, que só querem resolver os problemas, sendo presos nessa rede de intrigas e utilizados como marionetes para interesses menos nobres, por assim dizer.

Recomendo o livro, sem pensar duas vezes. A linguagem é coloquial, cheia de gírias, é a voz da rua mesmo. Fácil de ler, mas cheio de referências cultas, você vê que os autores sabiam o que estavam fazendo.

5 Comentários »

  1. Hj eu fui na biblioteca devolver o que estava lendo e vi esse livro lá, lembrei que vc estava lendo quis esperar pra ver o que ia falar!, bom saber que vale a pena ler, quando terminar o que eu comecei eu pego esse!

    Comentário por lehhp — 07/07/2009 @ 16:06 | Responder

    • Oi Lelê! Vale a pena sim!! Leia. Te empresto o meu se você quiser🙂

      Comentário por Pandora — 07/07/2009 @ 16:13 | Responder

  2. Pandora,

    Esse sentimento de raiva por fazer PARTE desse sistema corrupto é o que todo policial, fiscal ou político querem que a gente sinta.

    Querem vender o sistema como uma coisa necessária. Querem que pensemos que existe suborno porque o cidadão estando ERRADO gosta da opção do suborno.

    Na verdade vivemos sobre a opressão e a extorsão. Muitas vezes subornamos não por vantagem, mas por sobrevivência diante da extorsão.

    Se eu comprei minha carteira de motorista em 1995 porque, na época, instituíram uma quadrinha tão poderosa no DETRAN/RJ que era simplesmente impossível tirar a habilitação de maneira correta. Todos eram reprovados sistematicamente.

    Porque há toda uma operação fantástica chamada LEI SECA nas ruas? Será que não há nada de mais errado no RJ do que um trabalhador que tomou um chopinho e está dirigindo para casa? Ou será que é desse trabalhador que vão arrancar uma multa astronômica e fazê-lo pagar pelo terrível CRIME!

    Não concordo de maneira nenhuma que façamos parte desse sistema corrupto. Nós, trabalhadores, somos os excluídos.

    Só nós precisamos cumprir as leis, só de nós precisamos pagar todos os impostos cobrados antes mesmo de recerbermos nossos salários (O desconto é na fonte).

    Os políticos tem imunidade, os policiais tem a farda, os empresários tem os contadores e o caixa 2.

    Definitivamente, nós não fazemos parte do sistema.

    E mesmo achando o livro sensacional, ele não conseguiu fazer eu me sentir com qualquer tipo de culpa por termos uma polícia integralmente (ou muito próxima disso) corrupta, violenta, despreparada.

    Vomito na cara da polícia do RJ.

    Comentário por Max Wolf — 18/09/2009 @ 20:31 | Responder

    • Max, fantástica sua participação nesse post.
      Acho que você, que está no RJ, tem mais embasamento para falar sobre isso do que eu, que estou em SP vendo de longe o que rola (apesar da violência ser um tema comum aos dois estados, ao Brasil).
      Continue participando das discussões, senti sua falta aqui no blog.

      Comentário por Pandora — 18/09/2009 @ 23:56 | Responder

  3. Ah…não saio daqui.
    Estou sempre lendo as resenhas perfeitas e os comentários inteligentes dos leitores e dos fãs desse ótimo blog.

    Comentário por Max Wolf — 21/09/2009 @ 14:47 | Responder


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